quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

LITERATURA...

Versos Iniciáticos: Um Livro plural e intimista

Por José Cícero
Muito mais que um bom livro. um livro bom. "Versos Iniciáticos" do amigo Dr. Arimateia Macedo - filho ilustre de Aurora há anos radicado na bela e hospitaleira Gurupi no Estado do Tocantins onde presta serviços na área da medicina.
De leitura fácil e agradável, 'Versos Iniciáticos' reúne num só espaço dois gêneros literários, quer seja: poesia popular e moderna. 
Um livro substancialmente intimista em que é possível notar  em todas as suas 100 páginas um pouco da experiência de  vida do seu autor, remetendo seus leitores as suas vivências bucólicas vividas intensamente no sítio Cabrito na região do Pavão d'aurora, bem como aos seus anos de adolescência urbana e estudantil. E ainda mais recentemente das suas valorosas  impressões de vida. Uma obra  um tanto quanto memorialista capaz de agradar gregos e troianos pela versatilidade empreendida pelo seu autor. Uma obra portanto,  que nos remete a uma verdadeira viagem no tempo através de um mergulho literal nas lembranças, saudades e reminiscências de tempos idos.
Razão porque recomendo sua leitura, o que aliás,  tive a honra de lê-lo em primeira-mão, mesmo antes do prelo, posto que à convite também escrevi a sua apresentação de orelha.
Parabéns vate Arimatéia Macedo, nosso poeta-doutor, por mais esta feliz empreitado poética.
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Da Redação do Blog da Aurora

SEXTA-FEIRA, 9 DE JANEIRO DE 2015

MADRUGADA

Tudo está escuro agora em demasia.
Dentro dos teus olhos
ainda é muito cedo.
Outra vez a noite
não se rendeu ao dia.
E a lua branca que dormiu contigo
em meio  a fadiga da vida
está a tremer de frio entre teus dedos
sonhando a qualquer custo o paraíso.

Enquanto isso,
há um silêncio imenso no mundo.
E nos teus lábios,
um indizível desejo.
Tudo o mais está escuro e solitário.
Além do teu mistério  inconcebível.
E a madrugada que dormiu contigo
saiu pelada pelos caminhos
alegre e sorrindo
na ânsia de encontrar a luz do solstício.
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jc/Aurora-CE.

SEGUNDA-FEIRA, 29 DE DEZEMBRO DE 2014

NADA QUE SE SAIBA...


Com quantos vaga-lumes será possível
tecer uma noite clara?
Quem sabe, uma lua e meia.
Minguante ou cheia.
Uma rasga-mortalha desgarrada.
Uma noite inteira escura ou enluarada.
Uma coruja solitária.
Uma chuva fina se precipitando numa poça d’água
Quem sabe, uma sombra dupla de gente abraçada
namorando ou se espreguiçando ao longo da antiga estrada.
Uma silhueta de mulher pelada.
Uma chama acesa. Uma ardente fogueira.
Uma viva brasa.
Uma vontade danada.
Ou ainda quem sabe,
tudo o mais que acaso o valha.

Negrume e vaga-lumes.
Profunda escuridão sem uma viva alma.
Nada mais que se diga
ou que se saiba.
Uma quentura.
Uma conversa despudorada.
Um canto estridente de cigarra.
Uma noite escura e solitária.
Um medo de assombração e alma penada.
Uma aventura extrema.
Um arranhão por espinho de jurema braba.
Um frio na barriga.
Um arrepio de pele.
Uma carícia de mulher amada.
Uma utopia desvairada.
Uma insensatez das trevas.
Uma idéia vaga.
Vaga-lumes imitando estrelas,
sonhos alados de pássaros.
Noite clara, bichos noturnos.
Desejos e mistérios
e mais nada.
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