Thursday, November 24, 2011

Presidente da Associação dos Filhos e Amigos de AURORA residentes em Brasília, visita secretaria de Cultura


Presidente da AFA Brasília Dr. Vicente Magalhâes e esposa com o Sec. José Cícero na sede da Seculte-Aurora

Recentemente por ocasião das comemorações relativas ao aniversário dos 128 anos de Aurora, a Secretaria de Cultura do município recebeu a honrosa visita do Dr. Vicente Nunes de Magalhães, atual presidente da Associação dos Filhos e Amigos de Aurora(AFA) com sede na capital federal. O mesmo estava acompanhado da sua digníssima esposa, sendo ambos recebidos pelo secretário da pasta o professor José Cícero.
O secretário também acompanhou o distinto casal até a empresa Virtual Informática, ocasião em que o Dr. Vicente Magalhães tratou com o Sr. Flanklin Fernandes acerca da viabilidade técnica com vistas a instalação de uma antena para a transmissão dos sinais de Internet privada na comunidade de Tipi de Cima onde residem familiares do Dr. Vivente. No dia seguinte, o casal empreendeu uma visita de cortesia à secretaria de Cultura no centro da cidade. Oportunidade em que muitos assuntos foram abordados, principalmente no que se refere a gestão cultural, história de Aurora, a AFA-Brasília, além da festa do município. " Dr. Vicente é um aurorense que devota um amor desmedido ao sua terra natal. Diria que ele é, além de amigo o nosso diplomata na corte do país", disse o secretário.
Da Redação do Blog da Seculte-Aurora
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Município de AURORA adere ao Sistema Nacional de Cultura

Conforme informação constante no blog do Ministério da Cultura(http://blogs.cultura.gov.br/snc/) em sua edição de segunda-feira(21) AURORA é um dos 61 municípios cearenses que aderiram ao Sistema Nacional de Cultura(SNC) proposta que ora vem sendo desenvolvida pelo Minc. em todo o país. Os municípios que implantarem seus Sistemas Municipais de Cultuira(SMC) terão acessos aos recursos do Fundo Nacional de Cultura e estarão de acordo com os preceitos estabelecidos pelo SNC, que prevê a organização sistêmica da cultura, baseada na interação entre os três níveis federativos (União, estados e municípios).

Ainda, para o Ministério da Cultura os sistemas de cultura foram criados para “formular e implantar políticas públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da federação e a sociedade civil, promovendo o desenvolvimento - humano, social e econômico - com pleno exercício dos direitos culturais e acesso aos bens e serviços culturais.

"Com o decisivo apoio do prefeito Adailton Macedo, estamos unindo forças no sentido de edificarmos o quanto an tes as bases, os alicerces necessários para que a cultura da nossa Aurora que por si só já é pujante, possa dá um salto maior de qualidade dentro de uma perspectiva de apoio, crescimento, incentivo, resgate e produção”, disse o secretário José Cícero.

Recentemente, conforme informações da própria secretaria, o município também já sacramentou a sua adesão ao sistema nacional de bibliotecas públicas. Exigência básica para que Aurora possa ser beneficiada com convênios, incentivos e demais ações oferecidas pelos Governos Estadual e Federal. Tudo isso, constitui mais uma importante vitória, disse o secretário.

Saiba Mais:

Este Sistema deverá ser composto, no mínimo, por uma Secretaria Municipal de Cultura (ou órgão equivalente), Conselho Municipal de Política Cultural, Conferência Municipal de Cultura, Plano Municipal de Cultura e Sistema Municipal de Financiamento à Cultura (com Fundo Municipal de Cultura), e será institucionalizado por meio de projeto de lei a ser encaminhado à Câmara Municipal.

Quais as vantagens de participar do Sistema Nacional de Cultura?

A experiência brasileira com a implantação de sistemas públicos, articulados de forma federativa, como o Sistema Único de Saúde, por exemplo, demonstra que estabelecer princípios e diretrizes comuns, dividir atribuições e responsabilidades entre os entes da Federação, montar mecanismos de repasse de recursos e criar instâncias de participação social asseguram maior racionalidade, efetividade e continuidade das políticas públicas.

É por isso que o Ministério da Cultura, em atuação conjunta com o Congresso Nacional, apresentou uma série de Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) e Projetos de Leis (PLs) que instituem o chamado “marco regulatório da cultura”.

Dentre essas propostas, estão em tramitação a PEC nº 416/2005, que institui o Sistema Nacional de Cultura, a PEC nº 150/2003, que vincula à cultura recursos orçamentários da União, estados e municípios, o PL nº 6.835/2006, que institui o Plano Nacional de Cultura, e o PL nº 6.722/2010, que institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura, substituindo a atual lei de incentivo (Lei Rouanet).

Todos esses instrumentos legais estão diretamente relacionados ao Sistema Nacional de Cultura e vão induzir os outros entes da Federação a adotar instrumentos semelhantes. Ressalte-se a lei do Procultura, estabelece que a União destinará, no mínimo, 30% (trinta por cento) dos recursos do Fundo Nacional de Cultura aos estados, municípios e ao Distrito Federal, por meio de transferência a fundos públicos. A transferência é condicionada à existência, nos respectivos entes federados, de Plano de Cultura, Fundo de Cultura e Conselho de Política Cultural, com representação da sociedade, eleita democraticamente.

O governo federal já possui todos os componentes do Sistema e a tendência natural é que os estados e municípios acompanhem essa trajetória. Pelas novas regras, os primeiros beneficiados serão os municípios que saírem na frente e constituírem seus Sistemas Municipais de Cultura.

Relação dos 61 municípios cearenses que aderiram ao sistema:

1- AIUABA 2- ALCÂNTARAS 3- ALTO SANTO 4- ARATUBA 5- ASSARÉ 6- AURORA
7- BARREIRA 8- BELA CRUZ 9- CAMPOS SALES 10- CARIRÉ 11- CARIRIAÇU 12- CASCAVEL 13- CHOROZINHO 14- COREAÚ 15- CRATEÚS 16- CRATO 17- ERERÊ 18- FORTALEZA (CAPITAL) 19- GRAÇA 20- GROAÍRAS 21- GUARACIABA DO NORTE 22- GUARAMIRANGA 23- HIDROLÂNDIA 24- HORIZONTE 25- IBIAPINA 26- ICÓ 27- IGUATU 28- IPAPORANGA 29- IPAUMIRIM 30- IPU 31- IRAUÇUBA 32- ITAITINGA 33- ITAPIPOCA 34- JAGUARETAMA 35- JAGUARIBE 36- JUAZEIRO DO NORTE 37- MARANGUAPE 38- MERUOCA 39- MIRAÍMA 40- MONSENHOR TABOSA 41- MORADA NOVA 42- MORRINHOS 43- MULUNGU 44- NOVO ORIENTE 45- PALHANO 46- PIRES FERREIRA 47- QUIXADÁ 48- QUIXELÔ 49- RERIUTABA 50- RUSSAS 51- SALITRE 52- SÃO BENEDITO 53- SÃO JOÃO DO JAGUARIBE 54- SOBRAL 55- TEJUÇUOCA 56- TIANGUÁ 57- TRAIRI 58- TURURU 59- UBAJARA 60- VARJOTA 61- VIÇOSA DO CEARÁ

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Da Redação do Blog d'Aurora com informes da Net.
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Wednesday, November 23, 2011

O cel. Izaías Arruda e o Incêndio da ponte do rio Salgado - Por José Cícero*

Ponte onde um dia ocorreu o Incêndio dos domentes pelos jagunços do Cel. Izaías Arruda


JC, Arnaldo da Ingazeiras e Jean Charles na Ponte do Olho d'água(Aurora-CE)

Há anos que esta história me intrigava. Algo que nunca saíra de vez da minha cabeça. Tanto que, depois de várias investidas em vão para saber o local exato onde o incêndio ocorreu – por sorte, alguns meses atrás terminei encontrando o que procurava, isto é – a ponte do Olho d’água localizada entre o povoado de Quimami(Missão Velha) e Ingazeiras(Aurora).
Quando já me dirigia para a ponte do Jenipapeiro nos rumos do riacho dos Porcos nas proximidades de Ingazeiras, distrito de Aurora tive a sorte de parar numa bucólica residência de um agricultor. Um senhor de aproximadamente 80 anos. Cordato e hospitaleiro. Após falar-lhe do que eu estava procurando, ele de súbito, disse saber de toda a história contada-lhe um dia pelo seu genitor já falecido. E mais, que eu estava errado quanto a localização. A tal ponte não era a do jenipapeiro e sim, uma outra situada um pouco mais a frente a uma légua e meia dali. A ponte do incêndio ficava na localidade rural de Olho d’água. Aquela dica para mim foi muito mais que uma surpresa agradável. Foi um lenitivo. E assim, seguimos(eu e a minha equipe). De moto, ficou mais fácil vencermos as léguas tiranas das estradas empoeiradas. Chegamos finalmente ao local procurado. A ponte era magnífica. Exaustos mas recompensados por mais uma constatação histórica.
No ano passado, havia ido a Missão Velha e tendo inclusive conversado com o pesquisador Bosco Andréa acerca deste fato. Tudo estava, ainda como agora um tanto quanto nebuloso. Um mistério.
De lá fui até a ponte/pontilhão das Emboscadas. Por sinal uma bela obra de arquitetura. Confiante de que havia sido ali o ambiente onde tudo ocorreu. Só em seguida é que fiquei sabendo que também não era lá. De novo estava eu desolado.
E agora, diante do local exato pude constatar que se trata mesmo de uma bela ponte metálica de engenharia arrojada para os padrões da época. Logo que chegamos pude notar que bem ao lado, havia um canteiro de obras com vistas à construção da ferrovia denominada Transnordestina - obra do governo federal ainda da era Lula. Uma nova ponte estaria sendo projetada. E que será construída paralela a esta da Reffesa.
Torço para que, com a suposta desativação da antiga linha, que pelo menos a histórica ponte onde todo o fato ocorreu venha a ser preservada. Posto ser ela, um patrimônio arquitetônico e histórico não somente de Aurora e Missão Velha, mas de todo o Cariri.
A Pesquisa de campo:
Vasculhamos todo o matagal em seu entorno, assim como o leito do rio, quando pude, para minha alegria descobrir algumas peças antigas de ferro retorcido que estavam enterradas na lama, assim como cobertas pelo mato(ver foto). Tudo o que aquele senhor nos informou estava ali diante dos nossos olhos. Era a história viva e pulsante de um tempo ido, como que desafiando o olhar dos contemporâneos.
O rio estava belo, mesmo que rasgado e maltratado pelas máquinas que estavam a construir a nova ferrovia. Vi muita destruição em boa parte do percurso. Uma verdadeira agressão ao rico e ao bioma da nossa caatinga como um todo. Tudo em nome de um progresso devorador que parece puder tudo. Até mesmo devastar e destruir os nossos ecossistemas e a nossa própria história.
Era gozado a forma como os operários da Transnordestina nos olhavam. Talvez, por não compreender o nosso propósito de pesquisa. Ficavam curiosos. Vendo-me com a minha equipe a fotografar tudo, a esquadrilhar o ambiente em suas minúcias; como a procurar algo no vazio. Descobrimos peças de metais enterradas na areia do rio. Checamos restos de antigos dormentes. Buscando assim qualquer vestígio possível daquele remoto acontecimento, passado a mais de 80 anos. Era possível ver os sinais de fogo nos pilares da velha ponte. Tudo ali parecia está realmente carregado de antigas memórias.
Eu olhava para aquela ponte e imaginava o velho coronel Izaías Arruda e Zé Gonçalves com todo o seu bando de jagunço em suas infindáveis estripulias. Lampião e seus comandados... Além dos grandes potentados e outras autoridades que um dia passaram por ali. Por fim, saber que por sobre aquela ponte do Salgado passou boa parte do antigo progresso do Cariri foi para mim uma sensação das mais indescritíveis. Um misto de saudade, alegria e curiosidade.
Como se deu todo o episódio:
O ainda hoje misterioso, o incêndio da ponte sobre o rio Salgado de 1927, foi uma dura resposta do cel. Izaías Arruda(então prefeito de Missão Velha) em retaliação a um imbróglio com os engenheiros da RVC, depois que a ferrovia decidiu romper um acordo verbal relativo a compra(fornecimento) de madeira de lei para a fabricação de dormentes. A referida madeira era retirada da propriedade do temível coronel. A RVC resolveu não mais aceitar o produto de Izaías em face do preço exorbitante, muito além do valor de mercado que era praticasdo na época. O coronel não aceitou de bom grado o rompimento do contrato. Achou que aquilo era uma desmoralização a sua posição de líder. Indignado com o fim do lucrativo negócio, resolveu se vingar.
De modo que deu ordem aos seus jagunços para que arrancassem quase um quilometro e meio de dormentes da estrada de ferro e fizessem uma grande coivara sobre a ponte. E foi o que promoveram: uma fogueira gigante. Os trilhos ficaram em alguns trechos, soltos sem a sua base de apoio. Uma grande tragédia estava prestes a ocorrer com o trem da feira que passaria ainda nos escuro da madrugada lotado de gente e mercadoria. Um iminente acidente estaria prestes a acontecer. Um verdadeiro atentado que poderia vitimar um grande número de passageiros inocentes. O coronel não estava nem aí para as conseqüências do seu tenebroso ato.
As labaredas de fogo podiam ser vistas a quilômetros dali. Disse-nos o tal senhor do Jenipapeiro. A ponte estava literalmente em chamas. Vez que grande parte da sua estrutura metálica, segundo relatos, com o fogo, estava vermelha
em brasa viva.
Uma fogueira monumental alimentada por madeira de lei do tipo: aroeira, pau d’arco, cedro e mssaranduba dentre outras. “O ferro da ponte, como dizia meu pai, ficou em brasa viva”, disse o morador. O calor, segundo ele, era tanto que parte da estrutura metálica chegou ao ponto de alguns peças amolecer. Restos de ferros retorcidos ainda hoje depois de pouco mais de 82 anos daquele inusitado acontecimento ainda foram encontrados sob a areia do leito do rio. "A temperatura era altíssima e o fogo entrou pela noite. Foi uma coisa horrível, nem sei com a ponte não caiu por inteira".
E a tragédia só não foi maior porque um vaqueiro que residia nas proximidades (no Jenipapeiro), às escondidas, montou seu cavalo e rumou célere para à estação de Ingazeiras comunicando o fato ao agente local que de imediato telegrafou para as estações do Crato e Fortaleza. O trem daquele dia ficou pelas bandas de Iguatu ou do Crato mesmo. Por vários dias, quase uma semana o tráfego costumeiro do chamado trem da feira ficou interrompido até que funcionários da Rede Ferroviária Cearenses(RVC) sob segurança reforçada pudessem realizar os necessário serviços de recuperação da linha férrea e da própria ponte sobre o rio Salgado. Os prejuízos foram calculados em cerca de 300 contos de réis; uma verdadeira fortuna naquele tempo.
Mas o mistério ainda permanece até hoje. E algumas perguntas continuam, por assim dizer, inevitáveis. Ou seja, por que será que o coronel Izaías Arruda veio a escolher logo a ponte do Olho d’água a mais de duas léguas da estação de Missão Velha onde inclusive era prefeito? Por que justamente Aurora? Será que queria demonstrar força para os irmãos Paulinos com os quais mantinha uma rixa mortal? Ou quisera com isso, evitar quem sabe, que as volantes que se encontravam na parte baixa do Cariri não pudessem chegar a Aurora para dá cabo de Lampião junto com seu bando? Ou mesmo, queria que o próprio Lampião, fosse responsabilizado pelo incêndio aumentando assim, a ira do governo? Quanto a esta última suposição é notório ressaltar que muitos da época, inclusive alguns jornais da capital, chegaram a noticiar que aquele atentado tinha sido obra dos cabras de Lampião, em retaliação a perseguição das volantes, inclusive como consta equivocadamente na página 339 do livro: ‘A Marcha de Lampião, assalto a Mossoró’ de Raul Fernandes, filho do prefeito potiguar Rodolfo Fernandes, famoso por ter comandado a resistência de 27. Por fim, pelo modus operandi, que relação existiu entre o incêndio da ponte do Salgado e o da antiga estação de Missão Velha?
Ousado e temível em toda região, o coronel Izaías Arruda era de fato, um inegável fazedor de inimigos. Jogava bem, sobretudo nos bastidores e, como costumam dizer nossos matutos – com dois baralhos. De sorte que, não era tarefa fácil vencê-lo em seus domínios. Tinha, como se sabe ainda hoje, o seu exército particular de jagunços sempre pronto a agir nos mais diferentes ramos.
Contudo, adespeito de qualquer outra coisa, é preciso dizer que Izaías Arruda de Figueiredo foi um homem inteligente e de coragem que esteve muito além do seu tempo. A forma como se deu a sua morte foi uma prova inconteste de que pagara caro por tudo isso.
O coronel Izaías Arruda, era filho natutal de Aurora onde foi delegado e, quando ainda prefeito de Missão Velha, foi assassinado na estação de Aurora em 04 de agosto de 1928 pelos irmãos Paulinos, vindo a morrer quatro dias depois.

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José Cícero
Professor e Pesquisador do cangaço
Secretário de Cultura
Aurora-CE.

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QUANDO LAMPIÃO ESTEVE EM AURORA– Por José Cícero



Estamos nos grotões do município de Aurora – Sul do Cariri cearense. Quase na fronteira com o estado da Paraíba. Início do mês de julho de 1927. Vinte e seis dias depois do malogrado ataque a cidade norte-riograndense de Mossoró. Desde então, Virgulino Ferreira - o Lampião, juntamente com os que ainda restarem do seu bando, luta com unhas e dentes para não ser massacrado pelas volantes interestaduais do CE, RN, PB e PE.

Um verdadeiro exército está a persegui-lo sem trégua. A desproporção é, simplesmente gritante em desfavor do chamado rei do cangaço. Em alguns combates, chegando a incrível razão numérica de 40 soldados para um cangaceiro. Mas Lampião não se entregará. Se caíra na esparrela de uma empreitada enganadora, também haverá agora de sair(por sua conta e risco)o quanto antes dela. Sua perspicácia em rasgar a geografia da caatinga cearense ainda continua sendo a sua maior arma.

O fogo pesado da resistência fê-lo retornar às pressas numa marcha sofrível. Tirando de Mossoró à Limoeiro num fôlego. Exausto nas suas últimas forças lutou como nunca na vida para não sucumbir de vez aos seus inimigos de farda. Estava por assim dizer, desmoralizado, justamente num ataque que lhes disseram ser fácil. Foi ele próprio, a primeira vítima de um grande engodo arquitetado por uma corja de interesseiros. Bandidos piores que os que estavam sob seu comando. Mas não se deu por vencido... Rasgou a caatinga cearense na direção de Aurora como um autêntico vaqueiro conhecedor daquelas bibocas. Desde aquele instante, Izaías passou a ser o Norte na sua cabeça.

Adentrou o território aurorense pelas fímbrias da serra da Varzea Grande seguindo o riacho do Bordão de Velho, Malhada Funda, Riacho das Antas, Coxá, Diamente, serrote dos Cantis até finalmente, alcançar o valhacouto da fazenda Ipueiras - propriedade do seu amigo e sócio de empreitada – o coronel Izaías Arruda de Figueiredo. Imaginara está em segurança. Ledo engano. Seus aperreios estavam apenas começando. Chegara exausto, assim como todos os seus cabras em mais de 30 cangaceiros. Muitas deserções foram registradas ao longo do caminho. Uma marcha que pelo jeito, ainda não havia terminado.

Ansiava angariar o necessário auxílio do coronel, até então seu confiável coiteiro nestas paragens salgadianas. Mas não. Estava desconfiado. Alguma coisa lhe dizia que a Ipueiras não era mais a mesma que deixara dias atrás. Tudo havia mudado, após a humilhante derrota que sofreu em Mossoró. Sabia que agora teria que lutar com muito mais inteligência e denodo. Como era amarga a traição, assim como a solidão após uma derrota. Não haveria de morrer ali depois de tantas guerras. Queria ver o coronel que estava a demorar além da conta. Logo que soubera do fracasso, o velho coronel viajara à Fortaleza para tratar com o governador. Como se viu, mudara de lado ao sabor dos ventos...

Lampião pareceu quase sozinho na face do mundo. Seus amigos de empreitada o traíra. Desde então, pôde perceber que nunca, sequer um daqueles foi amigo de verdade. Ambos se aproximaram por pura ambição ou por medo. Agora, todos a sua volta estavam com o moral sob a rés do chão.

Sabino quase não parava de lamentaar as baixas e jurava vingar o companheiro Jararaca. Massilon emudecera de vez. Antes era todo um falastrão... Quase não havia mais diálogo. As poucas ordens dadas pelo capitão eram diferentes, lacônicas. A euforia de outrora pareceu descer junto as águas do rio Salgado. E muitos dos que estavam ali, de certo modo, também ansiavam descer junto com elas. Comemaça a partir de então uma nova batalha. Uma questão de vida ou morte.

Salvara-se de novo. Primeiro do banquete envenenado a cargo do vaqueiro de Zé Cardoso, Miguel Saraiva, depois, do incêndio da manga e do fogo cruzado dos macacos do major Moisés ajudados pela jagunçada do próprio coronel. Salvara-se milagrosamente pela parede do açude velho. Mas, por que ficara desguarnecida até o corredor que dava para a Malhada Vermelho e o riacho do pau branco? Num ímpeto de raiva, gritara não ser preá para morrer sapecado... Fizera naquele instante mais um inimigo. "Izaías vai me pagar esta desfeita", disse ele. Prosseguiu a passos largos pisando o rumo Oeste.
Os planos do major Moisés Leite de Figueiredo, por sinal, parente do coronel, foi por água abaixo como que de propósito. Quem sabe, 'eles' não desejassem de fato pegar Lampião... Senão, por que pediu ao governador a dispensa das tropas não-cearenses? Por que fora tão negligente nos combates desde a serra da Macambira? Seguido do sítio Ribeiro e agora na própria Ipueiras e no esconderijo do Diamante?
Lampião, contudo seguiu seu rumo. Sabia ele que o grande encontro com o seu destino estava muito mais além. Fez o que estava ao seu alcance para salvar o que restou do seu antigo bando. Ou que restava dele. Malgrado, o cansaço somado a fome e a falta de munição e ânimo dos seus cabras.Os bandoleiros da terra, já não estavam com ele. Deixaram-no tão logo adentraram a região do Bordão de Velho.

A perseguição arrefecera um pouco, ao passo que se distanciavam cada vez mais da cidade, mas não lhe dera trégua. Havia um trem desde a noite do dia 6 a esperar o corpo do bandoleiro na estação. Soldados ainda estavam espalhados em diversas parte de Aurora e região.Talvez dividir-se seria uma opção inteligente e necessária. E foi o que fez.
Massilon estava cabisbaixo, quem sabe com remorso de ter colocado Lampião naquela situação vexatória. Ao ponto de quase ser abatido. Não o deixara na fazenda Letrado no riacho do sangue(como escreveram depois os jornais). Seguiu-o na direção da Ipueiras até o sítio Brandão onde finalmente se separaram de vez. Homem de palavra, Lampião não lhe demonstrara nenhum ressentimento pelo fracasso. Iria na direção da serra do Góes. A despedida foi um tanto quanto amistosa. Massilon pediu-lhe o guia José Alves, um rapazola do sítio Jatobá e de lá, seguiu para o Sul. Na localidade de Catingueira légua e meia depois, o facínora matou covardemente o jovem rapaz da família Arara.

Até hoje seus familiares não têm dúvida, o primo que ficara com Lampião(sã e salvo) contara todo o caso quano retornou pra casa. Virgulino, ao contrário tratara bem os seus guias, tanto que ao chegar no Cajuí de onde era possível avistar (da ponta da serra) a então vila de Ingazeiras agradeceu-o oferecendo algum dinheiro a Joaquim de Lira, outro que serviu de guia a partir da Boa Vista(da região de vazantes) até os limites do Cajuí pras bandas das Ingazeiras. De lá, o bando transpôs a linha férrea pelas Tropas e Morro Dourado na busca do municípiode Milagres e de lápara Paraíba.
- Que povoado é aquele lá embaixo? - indagou Lampião.
- ali é as Ingazeiras capitão - respondeu o guia.
- Então me diga, como faço pra passar bem longe. Lá deve tá cheia de macacos vindos pela linha do trem.
- De fato, é bem arriscado, capitão...

A pouco mais de 72 horas se safara de mais uma espetacular refrega. Desta feita, na fazenda Ipueiras – justamente o QG onde toda a trama foi organizada com a participação direta e indireta de muitos cangaceiros e potentados regionais, tais como Massilon Leite, Zé Cardoso, Miguel Saraiva, Júlio Porto(representante dos interesses de Décio Holanda do Pereiro), e do mais célebre de todos – o coronel Izaías Arruda, dentre outras pseudo-autoridades que pagaram caro para que ficassem até hoje no anonimato desta história de sangue, traição e poder.

Na pisada de Lampião...

De Aurora, mais precisamente do riacho das Antas, participaram da empreitada do assalto à Mossoró os cangaceiros: Zé Roque, José Cocô, Zé de Lúcio e Antonio Soares(seria este o Asa Branca?) que alguns(poucos) pesquisadores apontaram como o cangaceiro mais jovem e natural da própria Ipueiras. Teria o bando um segundo ‘Asa Branca’ que depois do ingresso receberia outro nome como era comuns aos neófitos?.

Cumpre destacar que no começo de agosto do mesmo ano “O Nordeste”, periódico jornalístico de Fortaleza estamparia em sua capa uma matéria especial em reportagem tratando acerca da suspeição sobre o major Moisés Leite de Figueiredo – comandante geral das tropas dos três estados e parente do coronel. O foco era a suposta facilitação...

A Marcha no território aurorense:

No dia 7 de julho saíram às pressas da Ipueiras. O ziguezague que a partir dali realizou no território aurorense foi algo só digno de um profundo conhecedor da caatinga aurorense. Após a traição de Ipueiras Lampião seguiu para a serra do Góes já na divisa com Caririaçu indo pelas bandas do Pau Branco atravessando o Salgado na altura do sítio Barro Vermelho, passando pelo Jatobá, Brandão e pernoitando em Vazantes.

De lá se dirigiu para a serra dos Quintos e no dia 9 para a serra dos Góes, seguindo pelo riacho da boa vista até a ponta da serra pras bandas do Cajuí. Adentrou o município de Milagres transpondo a linha de ferro na localidade de Morro Dourado ainda em Aurora nas proximidades de Ingazeiras. Ainda, mas adiante passara pela Piçarra onde cangaceiro Sabino foi abatido pela volante de Manoel Neto. Uma outra traição, desta feita do velho Antonio da Piçarra outro ex-coiteiro e amigo de Virgulino. As coisas não estavam 'nada boa'...

Uma volta que envolveu todo o perímetro do território aurorense. Esta estratégia deixou completamente perdidos os que o caçavam a ferro e fogo. Dali conseguiu penetrar sem ser incomodado o estado da Paraíba pela a serra de Santa Inês. Um fino estrategista. Verdadeiro preá das matas.

Na parte II deste episódio trataremos do enigmático incêndio da Ponte do trem da RVC sobre o rio Salgado no localidade de Olho d’água(Aurora) depois da vila de Ingazeiras nas proximidades de Quimami a duas légua de Missão Velha.

O Enigmático Incêndio da Ponte sobre o rio Salgado em Aurora:

Há muita desinformação pertinente a este fato. No livro de Raul Fernandes ( a marcha de Lampião) por exemplo, narra que o incêndio foi obra de Lampião quando(provavelmente) da sua passagem pela proximidade com destina à Milagres e a Fazenda Piçarra e de lá para Serra de Santa Inês e Pernambuco. Outros diziam que o tal incêndio havia sido na ponte do jenipapeiro um pouco antes. Mas não. A ponte era maior: a do olho d’água. E mais: o incêndio foi obra não de Lampião, mas dos jagunços do coronel Izaías Arruda. Em retaliação a um histórico imbróglio deste com os engenheiros da RVC, depois que a ferrovia decidiu romper o contrato com Cel. Izaías sobre a compra de dormentes de madeira extraídos da sua propriedade em face do alto preço, cobrado acima do valor de mercado da época.
(Segue no próximo artigo).

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José Cícero
Professor e pesquisador do cangaço.
Secretário de Cultura
Aurora – CE.
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