Thursday, July 21, 2011

Encontro dos filhos e Amigos de Aurora - Uma Festa de gerações...Filhos e Amigos de Aurora Festejam encontro em grande estilo Com o pátio da SECULTE

Filhos e Amigos de Aurora Festejam encontro em grande estilo

Com o pátio da SECULTE (Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto) recebendo um considerável número de pessoas, aconteceu nesta manhã de sexta-feira (15), a solenidade oficial de abertura do 2º Encontro Nacional dos Filhos e Amigos de Aurora.
A grande festa sociocultural começou com apresentação da Banda de Música Senhor Menino Deus, seguida da palavra do presidente da AFA – Professor Tarcisio Leite, que em suas palavras agradeceu o apôio do prefeito Adailton Macedo, pois do contrário não haveria nenhuma possibilidade de se concretizar essa grandiosa festa para os filhos e amigos de Aurora. Em sua fala, o prefeito Adailton Macedo ressaltou acerca da importância da realização do evento aqui na terra do menino Deus, até mesmo porque se fosse para participar da referida festa na capital Fortaleza, a situação ficaria inviável, haja vista que os nossos irmãos mais humildes não teriam a oportunidade de prestigiar esse monumental encontro de gerações. Na seqüência houve a abertura da feira de artesanato da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social e do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), como também a amostra de produtos da agricultura familiar, expostos pela Secretaria de Agricultura do Município.
A partir do ato solene de abertura deste importante momento sociocultural, o brilhantismo da festa se espalhou de uma forma tão espetacular, que atraiu até mesmo a atenção daquelas pessoas menos esclarecidas acerca da cultura do município em que reside, até mesmo porque a atrativa programação preparada para a ocasião não permitia que as pessoas participantes da festa não perdessem um só lance das inúmeras atrações, minuciosamente organizada para atender todos os gostos e estilos.
Durante todo o dia na pedra da estação ferroviária aconteceu exposição fotográfica, oportunidade em que as pessoas puderam reviver através de retratos e lembranças um pouco da história de Aurora. A exitosa programação prosseguiu até a tardinha com várias apresentações culturais, a exemplo de: talentos da terra com música ao vivo; Forró Pé de Serra – Trio Forró Pesado (no pátio da Seculte); Apresentação dos Repentistas Cícero Cosme, Vicente Bié e o violeiro mirim – Alex Luna; Carpegiano dos Teclados; Ricardo dos Teclados; Sebastian dos teclados; Show de Palhaço; Exposição de pinturas e esculturas de Artistas Aurorense; Mobilização Social contra a Hipertensão e Diabetes; entre outras ações e atrações.
Dando continuidade a festa, as 17:00h, aconteceu o 2º Encontro de Motociclistas – saindo da Escola Técnica Profissional do Araçá até o largo da Rua Boa Vista, em frente o Banco do Brasil, no coração da cidade, onde em seguida ocorreu sorteio de prêmios para os motoqueiros participantes do encontro.
A programação desta sexta-feira (15) não parou por aí não. Pois as 19:00h, no pátio da Seculte aconteceu a estréia do Projeto Cine-Sertão, 1ª exibição (lançamento) do Filme-documentário: “O último apito”, sobre a história da estrada de ferro e as estações ferroviárias do Ceará, incluindo a participação de Aurora. E o curta, "Vicente Finim" uma produção genuinamente local.
Cumpre destacar que, antes da exibição da Seculte acima mencionada, o secretário de Cultura – José Cícero recebeu a visita de uma representante do ministério do Turismo – a Srª Marisa, que inclusive confidenciou ao secretário que o município de Aurora tinha sido uma das várias cidades do país que foram sorteadas pelo governo federal, com o intuito de ser fiscalizada pelo supracitado órgão federal, visando acompanhar de perto o desenrolar da festa, culminando desta forma na agilização de liberação de recursos para custeio do evento, sendo que nesta oportunidade a representante federal pôde comprovar toda transparência de como realmente a festa dos Filhos e Amigos de Aurora transcorre no município.
Às 20:000h, teve a exibição de lançamento do Curta produzido por Atores aurorenses (Cia de teatro da Seculte) – “A macabra lenda de Vicente Finim”, - O Filme.
E para finalizar o primeiro dia da programação, teve mega festa popular no largo da Rua Boa Vista - o I Festival de Arte e Cultura de Aurora, no palco m ontado no coração da cidade, em frente o Banco do Brasil com as seguintes atrações municias: Forró Garotos Bacanas, Forró Xoteado, Cara de Pau, Caninana do Forró e atração especial da noite: Forró Sacode.

Do: Site Oficial de Auro

Fotos Luiz Neto/Chico Rachel
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Sunday, July 17, 2011

Quando a Banda Passar

Por: Luiz Domingos de Luna*

A História humana é permeada pelo acúmulo de conhecimentos do passado, a ação do presente, não muito raro, a visionários que a força elástica do futuro por razões que estão na intimidade do ser dão o pontapé inicial ao vindouro.

No distante ano de 1981, quando a cidade de Aurora ainda patinava no formato de sua infraestrutura, todo o arsenal para a civilidade urbana, ainda um sonho a bailar na mente dos otimistas, lá vem àquela forte figura, contrariando a tonalidade do presente, a colocar a pedra última do triangulo da civilidade aurorense – A Banda de Música do Senhor Menino Deus, como uma escola a levar o facho da luz a uma juventude de múltiplas carências, ainda no processo de construção da base piramidal.

Quem viveu o momento sabe que o sonho do humanizador social, ativista cultural, e sacerdote na expressão maior – Padre Francisco França – tinha um quê de Utopia, vez as colunas mestras de desenvolvimento social ser também uma utopia, na verdade, tudo era utopia mesmo, assim a do padre, era mais uma no oceano de inúmeras.

No dia 29 de abril de 1982 fui convidado para receber os instrumentos musicais na casa Paroquial, vez a solicitação do padre ter sido atendida prontamente pelo Ministério de Educação e Cultura. O Momento foi registrado por um grande paradoxo, ora, a cada instrumento que conferia um grito de emoção, lágrimas de felicidade que tocava suavemente o chão, como se existisse também uma alegoria na força gravitacional terrena.

Tudo para mim era motivo de felicidade plena, o cheiro dos instrumentos, os caixotes, a embalagem perfeita, na verdade tudo perfeito.

Quando dei conta de minha emoção plenamente exagerada, olhei ao lado e vi o idealizador da obra taciturno, triste, com uma dor na alma, uma expressão quase que fúnebre, ficou logo claro o descompasso espiritual entre mim e o arquiteto do projeto. Uma situação emblemática, uma dialética soava no ar, parecia ser um sonho realizado para mim e uma decepção para o padre.
Diante desta situação vexatória e paradoxal, confesso que para mim um pouco constrangedora, enxuguei as lagrimas de felicidades e entrei na atmosfera da dor espiritual que acometia meu mestre.
O Meu fluxo pensamental em pane, pois como conciliar a minha emoção contagiante com a tristeza espiritual marcante do momento. Pensei, devo estar agindo errado nesta situação, - esta minha alegria deve ser falsa, ou eu estou enganando a mim mesmo, Como pode? Pois eu sabia plenamente que a tristeza do padre era verdadeira, nunca passou a idéia da tristeza do mestre ser falsa, vez a sua integridade moral está acima da minha a anos luz!
Assim criei coragem e perguntei:

- Padre França por que tanta tristeza?

-Porque estou pensando -

- Como assim?
Será se daqui a 30 anos terão jovens para tocar estes instrumentos ou a ferrugem vai tomar conta deles.
Padre, a ferrugem tomar conta dos Jovens?
Não – Eu pensei dos instrumentos musicais.
Tombei na coluna do silêncio e não falei mais nada.
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(*) Professor –
Aurora –Ceará.
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Tuesday, July 12, 2011

Jornalista do DN comenta e reproduz artigo de José Cícero sobre o filme "O Último Apito"

Do Blog do 'Sobrearte' do Marcus Peixoto

'O Último Apito' trata do desmonte do sistema ferroviário'

Rusty train 2
O Último Apito é um filme-documentário produzido pelo cineasta Aderbal Nogueira. Nas palavras do secretário de Cultura de Aurora, José Cícero, trata-se de uma produção "simples, mas não um filme simplesmente... Aqui reproduzo boa parte do artigo, que faz uma referência nostálgica aos bons tempos dos trens cortando as ferrovias do Estado e, particularmente, o Município de seu coração: Aurora. O que deixou de ser uma mera lembrança de um passado feliz é também uma denúncia sobre o descaso com a ferrovia, em que o descaso fez mergulhar esse sistema de transporte no sucateamento e, por fim, no total desmonte.
Aqui reproduzo trechos da crítica apaixonada do intelectual e pesquisador do cangaço:

"Um grito a romper o silêncio cômodo de uma história que ainda não terminou. Um contributo à preservação da memória histórica de toda uma geração de ex-ferroviários – bravos guerreiros, assim como de todos aqueles que de algum modo superlativo tiveram uma parte significativa das suas vivências ligada ao antigo cotidiano das estradas de ferro. Uma saga do povo cearense...
Um filme que nos comove e convida a pensar diferente, ao passo que também instiga a nos indignar diante das circunstâncias até hoje mentirosas que supostamente levaram a interrupção do transporte ferroviário do nosso Estado. Um retrato fiel da realidade de abandono em que está relegado todo o patrimônio ferroviário (material e imaterial), algo que nos dói no fundo da alma. Um filme que desnuda por si mesmo uma verdade ainda hoje, um tanto quanto, inconveniente e há muito escondida. ‘O último Apito’ é, em suma, um grande presente e uma homenagem que se faz à memória histórica e afetiva do povo cearense em geral e aos ferroviários em particular.
Com um título dos mais sugestivos, daqueles, cujos vocábulos já dizem muito - Um tanto além da mera expressão lídima do termo. “O último Apito”: não é somente um filme simplesmente. Mas, diria que quase uma ferroada de maribondo-de-chapéu na ânsia(quem sabe) de acordar a todos do sono letárgico em que estivemos submetido por anos a fio. Diante deste verdadeiro esbulho que foi(e continua sendo) a destruição do nosso rico patrimônio ferroviário.
Um documento em movimento que aborda de modo realista e sentimental um pouco da história da estrada de ferro e das antigas estações ferroviárias do Ceará adentro, agora relegadas ao mais completo estado de abandono (quando ainda não foram demolidas). Uma cocha de retalhos memorialistas, composta de relatos fidedignos e comoventes de ex-ferroviários e de outros pesquisadores convidados. Um filme com a cara da nossa históriade luta que tem a capacidade de mexer profundamente com nossos sentimentos mais recônditos. Insisto: Não apenas um filme simplesmente... Mas um libelo de um crime de lesa-pátria e de lesa-história.
Inteligentemente o nobre diretor Aderbal Nogueira, cujo avô foi ferroviário e morara inclusive, na década de 20 em Aurora, coloca além da temática central, algumas capilaridades, tais como a história do célebre coronel Izaías Arruda e o seu notório assassinato na estação do trem de Aurora. A ele agradeço pelo convite de também ter tido a honra de participar deste filme como um dos seus pesquisadores entrevistados.
Devo confessar que ao assistir os depoimentos e o choro de alguns dos personagens reais do documentário eu também me emocionei desmedidamente. Posto que também nasci e adolesci praticamente correndo, brincando e jogando bola à margem da linha férrea na minha antiga Missão Velha. De tal sorte que posso afirmar que quase tudo no meu tempo de menino estava de certo modo ligado as idas e vindas do velho trem. Minha casa, minha escola, meu campinha da várzea, as brincadeiras de esconde-esconde tinham como cenário maior a estação e os comboios ferroviários. O gesso, o açúcar, o combustível que nós aparávamos para depois pôr nos candeeiros, os grandes pregos dos dormentes, os bigus nos troles, a verdadeira feira-livre de bebidas, comidas típicas e guloseimas que todos os dias se formavam na “pedra” da estação. As águas dormidas das quartinhas e a famosa macaxeira a que todos diziam ser do cemitério(quiçá por isso era tão saborosa). Uma verdadeira festa! Um acontecimento social de fato, inesquecível... Um grande encontro dos mais democráticos. Uma saudade que ‘O último Apito’ agora nos traz de volta na mais absoluta das realidades.
O trem passava literalmente duas ou três vezes por dia pelo meu quintal. De modo que esta história faz parte da minha memória afetiva. Quem viveu aquele tempo e não é de ferro, não tem como agüentar impassível as imagens e as narrativas trazidas pelo “o último Apito”. Por tudo isso, presumo ser impossível não sermos tocados por essas lembranças após assistirmos um filme deste naipe, tão realista, tocante, audaz e cativante.
‘O último apito’ é um espinho de mandacaru tocando fundo o nosso passado e as nossas recordações mais sentidas de um tempo bom e romântico que não volta mais... Por fim, um filme que, forçosamente teremos que assistir por mais de uma vez. Um passado que não passa..."
Fonte: http://sobrearte-marcuspeixoto.blogspot.com